quarta-feira, 22 de julho de 2026

Confissões de um pastor

 Confissões 

Capítulo II

Certa vez eu estava na igreja e uma amiga, que havia sido casada com outro amigo meu, apareceu.

Fazia bastante tempo que eu não a via. Começamos a conversar, colocar a conversa em dia, falar sobre a vida, até que, de repente, ela me disse:

— Não estou mais casada com o Ralph.

Eu fiquei olhando para ela, esperando que continuasse.

Então ela falou:

— Conheci uma outra pessoa e estou com ela. E é uma outra mulher.

Naquele momento eu apenas respondi:

— Uau… e você está feliz?

Ela me olhou de uma forma estranha e disse:

— Você não vai me condenar?

Essa frase dela me assombra até hoje.

Não porque eu não soubesse o que responder, mas porque percebi que, antes mesmo de ouvir qualquer palavra minha, ela já esperava uma condenação.

Eu respondi que não e perguntei novamente:

— Mas você está feliz?

Ela disse que sim.

Depois ela comentou comigo que estava muito preocupada com a minha reação e que, quando eu perguntei se ela estava feliz, ela não sabia mais o que fazer.

Aquela conversa ficou marcada em mim.

Nós oramos juntos naquele dia. Eu falei para ela que sempre iria orar por ela e que ela sempre teria um amigo para qualquer momento da vida.

E continua tendo.

Até hoje somos amigos.

Eu falei que essa frase dela me assombra, não é?

Pois é.

Ela volta à minha cabeça sempre que vejo alguma discussão relacionada ao mundo LGBTQIA+.

Eu lembro daquele dia.

Também lembro de outra situação.

Eu estava evangelizando um rapaz que era travesti. Conversamos bastante e, em determinado momento, fiz um convite:

— Vamos à minha igreja?

Ele prontamente respondeu:

— Sim.

Eu fiquei muito feliz por ele ter aceitado.

Combinamos o dia.

No domingo, ele foi.

Minha esposa e eu sentamos com ele em um banco que cabiam seis pessoas.

A igreja estava lotada.

Havia pessoas em pé.

Mas naquele banco havia três lugares vazios.

E ninguém quis sentar ali.

Aquilo me marcou profundamente.

E eu pergunto:

A que ponto chegou a igreja dos dias de hoje?

E quero deixar claro: não estou falando da Igreja de Jesus.

A Igreja de Jesus é diferente.

Estou falando de uma parte da igreja formada por pessoas que se colocam no lugar de juízes, magistrados de Deus, julgando e condenando a todo momento.

E então eu me pergunto:

Eu, como pastor, sou um condenador?

Não.

Eu sou um mensageiro.

E um mensageiro não cria a mensagem.

Ele apenas entrega aquilo que recebeu.

Jesus disse:

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.”
(João 14:6)

Como mensageiro, estou aqui para anunciar aquele que é o caminho, a verdade e a vida.

Como mensageiro, estou aqui para ajudar os necessitados, cuidar dos órfãos e das viúvas.

“A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se da corrupção do mundo.”
(Tiago 1:27)

Como mensageiro, estou aqui para anunciar a maior mensagem de amor que já existiu:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
(João 3:16)

Agora, ser julgador?

Ser condenador?

Não.

Esse não é o meu papel.

Deus irá julgar?

Sim.

Ele julgará todos nós.

A mim também.

Mas existe algo que eu acredito profundamente: o julgamento de Deus será diferente do julgamento humano, porque Deus é amor.

“Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.”
(1 João 4:8)

Eu não posso dizer que minha amiga do início dessa história será condenada.

Eu não posso dizer que milhões de pessoas LGBTQIA+ serão condenadas.

Eu não posso.

Porque, se uma pessoa se arrepender verdadeiramente no último momento de sua vida, eu acredito que Deus conhece o coração dela.

E o céu será um lugar de muitas surpresas.

Quando chegarmos lá, talvez encontremos pessoas que jamais imaginávamos encontrar.

E talvez não encontremos algumas pessoas que tínhamos certeza que estariam lá.

Porque o julgamento pertence a Deus.

Se o ladrão na cruz se arrependeu e recebeu a promessa do paraíso, quem sou eu para julgar meu irmão, minha irmã ou minha amiga?

Quem sou eu para achar que tenho a palavra final?

Eu não sou o juiz.

Eu o que eu sou você pode me perguntar:

- Eu sou apenas um mensageiro.

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