quinta-feira, 18 de junho de 2026

Confissões de um pastor

Confissões 

Capítulo I

Não sei se “confissões” é o nome certo para estas páginas.

Talvez seja pretensioso demais imaginar que alguém se interesse pela arqueologia da minha vida. Talvez seja apenas vaidade. Ou talvez seja o contrário: a tentativa de organizar os próprios escombros antes que o tempo os transforme definitivamente em poeira.

Escrevo aos cinquenta anos com uma estranha sensação. Já vivi o suficiente para olhar para trás sem pressa, mas ainda não o bastante para acreditar que a história terminou. Há mais passado do que futuro, e essa simples constatação muda a maneira como enxergamos tudo.

Nasci em uma família que me amou.

Não era perfeita. Nenhuma é.

Havia discussões, dificuldades, silêncios e dias ruins. Mas, curiosamente, quando fecho os olhos, nada disso ocupa o centro da lembrança. A memória tem um jeito curioso de selecionar aquilo que merece permanecer.

Ela me devolve um menino correndo pelas ruas.

Um menino que chegava em casa coberto de terra, jogava futebol até escurecer, inventava brincadeiras que hoje seriam impossíveis, porque nossa infância não cabia dentro de uma tela.

Cresci antes dos celulares, antes da internet, antes de o mundo inteiro caber no bolso. Nossa rede social era o portão da casa, a calçada e o campinho improvisado.

Lembro de um dia em que voltei tão sujo que me recusei a tomar banho. Minha mãe resolveu a discussão do jeito mais convincente que as mães daquela geração conheciam. Hoje sorrio ao lembrar. Na época, nem tanto.

Fui uma criança feliz.

E talvez felicidade seja exatamente isso: descobrir, muitos anos depois, que as melhores lembranças nunca foram as mais caras, nem as mais planejadas.

Também me lembro da escola.

Das salas de aula, dos professores, dos amigos que pareciam eternos.

A vida, porém, tem um talento cruel para transformar “para sempre” em “há muitos anos”. Hoje percebo que não restou praticamente ninguém daquela época. É estranho admitir isso, mas hoje não tenho amigos próximos. Não digo isso com amargura; apenas como quem constata um fato. Algumas pessoas atravessam nossa vida. Pouquíssimas permanecem.

A juventude chegou como costuma chegar para quase todos: barulhenta.

Foram festas, bebidas, brincadeiras sem sentido, madrugadas intermináveis ao lado dos meus primos e vizinhos.

Nunca fui violento. Minha rebeldia fazia mais barulho do que estrago. Era um rebelde sem causa, mas um rebelde pacífico.

Passei incontáveis noites acordado assistindo filmes. Meu pai percebeu esse hábito e me presenteou com dois apelidos que guardo com carinho até hoje: “Morcego” e “Vampiro”.

Curiosamente, sinto saudade até da maneira como ele pronunciava essas palavras.

Existem vozes que continuam ecoando dentro de nós muito depois que o silêncio chega.

Sempre fui muito ligado à minha mãe.

Em algum momento da juventude, porém, algo mudou. Não houve briga, não houve rompimento, não houve um grande acontecimento que explique esse afastamento. Simplesmente aconteceu.

O mesmo vale para minha irmã.

Se alguém me perguntasse o motivo, eu não saberia responder. Existem distâncias que não nascem da falta de amor, mas do simples desencontro entre as vidas.

Ainda assim, sei que estarei presente sempre que precisarem de mim. O amor nem sempre mora na convivência diária; às vezes ele se manifesta na certeza de que ninguém enfrentará uma tempestade sozinho.

Na adolescência havia outra batalha silenciosa.

Eu queria namorar.

Queria desesperadamente.

Mas acreditava ser feio.

Hoje vejo fotografias daquela época e descubro que a realidade era muito diferente da imagem que eu fazia de mim mesmo. A insegurança possui esse poder perverso: ela fabrica espelhos mentirosos.

Talvez por isso eu fizesse tantas piadas.

As pessoas costumam acreditar que o engraçado da turma é o mais feliz. Nem sempre.

Em muitos casos, o humor é apenas a forma mais elegante de esconder a tristeza.

Enquanto todos riam do garoto brincalhão, poucos percebiam que existia um menino inseguro, tímido e profundamente carente de pertencimento.

Foi assim que atravessei boa parte da juventude.

Até que entrei para a igreja.

Mas essa parte merece um capítulo próprio.

Porque foi ali que encontrei algumas das experiências mais bonitas da minha vida… e também algumas das feridas que demorariam décadas para cicatrizar.

Hoje, olhando para trás, percebo que desperdicei anos vivendo sob aquilo que só consigo definir como um terrorismo religioso: uma espiritualidade construída mais sobre o medo do que sobre o amor.

O mais doloroso é perceber que esse modelo continua existindo.

Ainda vejo jovens aprendendo a sentir culpa antes mesmo de aprenderem a viver.

Ainda vejo pessoas confundindo controle com santidade, obediência com silêncio e fé com medo.

Isso me entristece.

Porque acredito que Deus nunca teve medo da vida.

Foram os homens que tiveram.

E talvez escrever estas confissões seja justamente isso: reaprender a olhar para a minha própria história sem medo dela.


Essa história ainda não acabou.


domingo, 31 de janeiro de 2021

Mensagens de esperança

 Meus amigos, é com grande alegria que informo que o meu 1º livro já está disponível para venda na Amazon (segue o link). Esta obra traz reflexões poderosas sobre a fé e a vida cristã, todas baseadas na Palavra de Deus. Cada texto foi confeccionado com simplicidade, sinceridade e muita seriedade, a fim de trazer refrigério à alma do leitor e renovar sua vida com mensagens de esperança. 

O lançamento oficial será em fevereiro, peço a oração de todos para que esse livro possa ser uma ferramenta de Deus para alcançar muitas e muitas pessoas. 

Mensagens de esperança

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